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Marie Curie: Descoberta da radioatividade

 

Nasceu na atual capital da Polónia, em Varsóvia, a 7 de Novembro de 1867, altura em que a mesma fazia parte do Império Russo. Com o auxílio financeiro de sua irmã mudou-se já na juventude para Paris.
 Licenciou-se em primeiro lugar em Ciências Matemáticas e Física, na Sorbonne. Foi a primeira mulher a lecionar neste prestigiado estabelecimento de ensino.
     Casou-se em 1895 com Pierre Curie, professor de Física, tendo então adotado o nome de Marie Curie. Em 1896, Henri Becquerelincentivou-a a estudar as radiações, por ele descobertas, emitidas pelos sais de urânio. Juntamente com o seu marido, Marie começou, então, a estudar os materiais que produziam esta radiação, procurando novos elementos que, segundo a hipótese que os dois defendiam, deveriam existir em determinados minérios como a pechblenda (que tinha a curiosa característica de emitir mais radiação que o urânio que dela era extraído). Efetivamente, em 1898 deduziram essa explicação: haveria, com certeza, na pechblenda, algum componente que libertava mais energia que o urânio; em 26 de Dezembro desse ano, Marie Curie anunciava a descoberta dessa nova substância à Academia de Ciências de Paris.
Após vários anos de trabalho constante, através da concentração de várias classes de pechblenda, isolaram dois novos elementos químicos. O primeiro foi nomeado Polónio, em homenagem à sua terra Natal, e o outro Rádio, devido à sua intensa radiação, do qual conseguiram obter em 1902 0,1 g.
Posteriormente partindo de oito toneladas de pechblenda, obtiveram mais 1 g de sal de Rádio. Nunca patentearam o processo de obtenção desenvolvido. Os termos radioativo e radioatividade foram inventados pelo casal para caracterizar a energia liberada espontaneamente por este novo elemento químico.
Com Pierre Curie e Antoine Henri Becquerel, recebeu o Prémio Nobel da Física, em 1903 “em reconhecimento pelos extraordinários serviços obtidos em suas investigações conjuntas sobre os fenómenos da radiação, descoberta por Henri Becquerel”. Foi a primeira mulher a receber tal prémio.
Oito anos depois recebeu o prémio Nobel da Química em 1911 «em reconhecimento pelos seus serviços para o avanço da química, pela descoberta dos elementos rádio e polónio, o isolamento do rádio e o estudo da natureza dos compostos deste elemento». Com uma atitude desinteressada, não patenteou o processo de isolamento do rádio, permitindo a investigação das propriedades deste elemento por toda a comunidade científica.
O prémio Nobel da Química foi-lhe atribuído no mesmo ano em que a Academia de Ciências de Paris a rejeitou para sócia, após uma votação ganha por Edouard Branly, tendo perdido a admissão apenas por um voto.
Foi a primeira pessoa a receber dois Prémios Nobel em campos diferentes. A única outra pessoa, até hoje, foi Linus Pauling.
No entanto, Marie Curie foi a única pessoa a receber dois prémios Nobel em áreas científicas.
Em 1906, sucedeu ao seu marido na cadeira de Física Geral, na Sorbonne.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Curie propôs o uso da radiografia móvel para o tratamento de soldados feridos. Em 1921 visitou os Estados Unidos, onde foi recebida triunfalmente. O motivo da viagem era arrecadar fundos para a pesquisa. Nos seus últimos anos foi assediada por muitos físicos e produtores de cosméticos, que usavam material radioativo sem precauções.
Foi ainda a fundadora do Instituto do Rádio, em Paris, onde se formaram cientistas de importância reconhecida. Em 1922 tornou-se membro associado livre da Academia de Medicina.
Marie Curie morreu perto de Salanches, França, em 1934 de leucemia, devido, seguramente, à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho. A sua filha mais velha, Irène Joliot-Curie, recebeu pela mãe o segundo Prémio Nobel da Química, em 1935, que lhe foi atribuído no ano seguinte à sua morte.
O seu livro “Radioactivité” (escrito ao longo de vários anos), publicado a título póstumo, é considerado um dos documentos fundadores dos estudos relacionados com a Radioactividade clássica.
Em 1995 seus restos mortais foram transladados para o Panteão de Paris, tornando-se a primeira mulher a ser sepultada neste local.
A sua filha, Éve Curie, escreveu a mais famosa das biografias da cientista, que foi amplamente traduzida em vários idiomas. Em Portugal, é editada pela editora “Livros do Brasil”. Esta obra deu origem ao argumento de um filme de 1943: “Madame Curie”, realizado por Mervyn LeRoy e com Greer Garson no papel de Marie.
Foram também feitos dois telefilmes sobre a sua vida: “Marie Curie: More Than Meets the Eye” (1997) e “Marie Curie – Une certaine jeune fille” (1965), além de uma mini-série francesa, “Marie Curie, une femme honorable” (1991).
O elemento 96 da tabela periódica, o Cúrio, símbolo Cm foi baptizado em honra do Casal Curie.

O Neutrino ou Einstein estava errado…

 

Crónica (adaptada) publicada no Diário de Coimbra.

A luz solar demora cerca de oito minutos a atingir o planeta Terra, depois de percorrer cerca de 150 milhões de quilómetros a uma velocidade de aproximadamente 299 792 458 metros por segundo. (Diga-se, neste andamento, que a distância Terra – Sol varia ao longo do ano, devido à trajectória elíptica da Terra: É mínima no periélio, que ocorre no princípio de Janeiro (141 milhões de km) e máxima no afélio (152,1 milhões de km) por volta de 4 de Julho (Dia de Coimbra).

Albert Einstein considerou aquele valor como invariante e mostrou que ele era o limite superior inultrapassável para a velocidade de todas e quaisquer partículas e objectos no vácuo. A sua teoria da relatividade restrita, que entre outras se expressa na mais famosa equação do século XX – E = m c^2 (E para energia, m para massa, c a velocidade de propagação da radiação electromagnética no vácuo) -, parte precisamente da invariância da velocidade da luz e tem como consequência a existência de um limite superior para a velocidade: o m naquela equação vai crescendo à medida que a velocidade aumenta de modo a impedir que uma partícula com massa alcance a velocidade da luz.

O físico português João Magueijo tem vindo, há mais de uma década, a investigar a hipótese de o valor de c variar ao longo da evolução do nosso Universo, “desafiando” assim a teoria da relatividade de Einstein. Divulgou essa hipótese ao grande público no livro “Mais rápido do que a luz”, publicado em Portugal pela Gradiva, em 2003.

O novo livro de Magueijo, com o título de “O Grande Inquisidor”, também editado pela Gradiva, conta a vida de Ettore Majorana, um físico italiano que terá sido o primeiro a propor a existência do neutrão, partícula sem carga presente no núcleo dos átomos. Majorana, que desapareceu misteriosamente, terá também trabalhado, “precocemente”, na previsão da existência da partícula conhecida por “neutrino”, a qual tem sido notícia nos últimos dias devido à descoberta, pelo menos aparente, de que pode assumir velocidades superiores às da luz (ver, por exemplo, aquiaqui eaqui)!

Mas o que é um neutrino?

Quando um neutrão é isolado de alguma forma de um núcleo atómico, os cientistas verificam que, em cerca de vinte minutos, ele “desaparece” aparecendo um protão e um electrão. Os primeiros investigadores a observar esta transformação ficaram intrigados porque, ao calcular (utilizando a equação de Einstein acima indicada) as energias envolvidas nessa transformação, estas não batiam certo: a soma das energias correspondentes ao protão e ao electrão resultante era inferior à energia do neutrão inicial!

A experiência parecia colocar em causa o princípio0 da conservação da energia, de certo modo semelhante ao princípio enunciado por Lavoisier da conservação da massa. No processo de transformação de um neutrão num protão e num electrão perdia-se, de alguma forma, energia. Num esforço teórico para “conservar”o princípio de conservação da energia (nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!), Wolfgang Ernst Pauli (prémio Nobel da Física em 1945) propôs, como hipótese, a existência de uma outra partícula, indetectável pela tecnologia da época, que não teria carga eléctrica, mas que era responsável pela parte em falta no balanço energético! Essa hipotética partícula sem carga foi baptizada de “neutrino”. Os neutrinos viriam a ser detectados experimentalmente em 1956 na proximidade de reactores nucleares. E a confirmação da sua existência permitiu manter “incólume” o princípio da conservação da energia.

Os neutrinos, partículas muito difíceis de detectar por interagirem muito pouco com átomos ou com as partículas que os constituem, têm vindo a ser alvo de grande interesse por parte dos físicos e dos astrofísicos, quer para indagar a natureza íntima da matéria, quer para revelar a natureza do Universo longínquo. Sendo resultado de reacções nos núcleos atómicos, a detecção de neutrinos provenientes do “nosso” Sol foi mais uma confirmação da origem nuclear da energia das estrelas. Para além disso, a sua detecção na explosão da Supernova SN 1987A, em 1987, deu alento à astrofísica dos neutrinos como uma enriquecedora ferramenta para estudar o Universo.

Recebemos do centro do Sol um intenso fluxo de neutrinos (cerca de 65 mil milhões por segundo). Como estas partículas atravessam o nosso planeta praticamente sem interagirem com ele, podemos dizer, tal como escreveu Hubert Reeves, que o “Sol neutrínico nunca se deita” e, contrariamente à luz solar, somos banhados por fluxos solares de neutrinos numa alvorada permanente. Os neutrinos estão sempre a dizer-nos bom dia! Aliás, os neutrinos têm estado presentes nos novos dias da ciência, da nossa compreensão da natureza das coisas (De Rerum Natura) de que somos feitos e que nos rodeiam…

António Piedade

 

Via – De Rerun Natura

Um Pouco de Física Quântica

“Qualquer um que não se choque com a Mecânica Quântica é porque não a entendeu.” (Niels Bohr)

 

 

 

No século XX, tivemos o grande privilégio de testemunhar duas grandes revoluções em nossa visão física do mundo. A primeira delas virou de cabeça para baixo nossas concepções de tempo e de espaço, combinando as duas naquilo que chamamos agora de espaço-tempo. A segunda dessas revoluções mudou completamente a maneira pela qual entendemos a natureza da matéria (elétrons e partículas subatômicas) e da radiação, fornecendo-nos uma visão da realidade  em que partículas comportam-se como ondas, e ondas, como partículas, em uma nova perspectiva na qual nossas descrições físicas normais estão sujeitas a incertezas essenciais e que objetos individuais podem se manifestar em diversos lugares ao mesmo tempo. Passamos a usar termos como “relatividade” para abranger a primeira dessas revoluções e “teoria quântica” para abarcar a segunda. Ambas postuladas por Albert Einstein.

 

A palavra “quântica” (do Latim, quantum) quer dizer quantidade. Na mecânica quântica, esta palavra refere-se a uma unidade discreta que a teoria quântica atribui a certas quantidades físicas, como a energia de um elétron contido num átomo em repouso. A descoberta de que as ondas eletromagnéticas podem ser explicadas como uma emissão de pacotes de energia (chamados quanta) conduziu a esse ramo da ciência que lida com sistemas moleculares, atômicos e subatômicos.

 

Os elétrons e outras partículas subatômicas não são nem ondas e nem partículas, são uma mistura das duas, que em um momento se mostram como onda e em outro como partícula. Heisenberg diz que a realidade fundamental em si é indeterminada. Tudo da realidade é e continuará sendo uma questão de probabilidades. No seu princípio da Incerteza mostra que nunca é possível saber exatamente a posição e o momentum* de uma dessas partículas subatômicas.  A física Newtoniana determinística dá lugar a uma física de probabilidades.

 

Os fenômenos que ocorrem em escala atômica e as suas implicações ao nível macroscópico são satisfatoriamente explicadas pela física quântica. Como não conseguimos perceber com nossos sentidos, o que  ocorre em escala atômica, não é possível descrever esse “novo” mundo com os conceitos da física clássica. Foi necessário desenvolver uma teoria completamente nova e diferente do que existia até então. Segundo as palavras de Stephen Hawking: “Na verdade, foi uma teoria extremamente bem-sucedida e sustenta quase toda a ciência e a tecnologia modernas.”

 

Vários aspectos pelos quais a teoria quântica descreve o mundo podem parecer absurdos à primeira vista (e possivelmente podem continuar sendo a segunda, terceira e quadragésima oitava vez). Por mais absurda que a mecânica quântica possa nos parecer, esse parece ser o caminho  que a Natureza escolheu – logo, temos que nos conformar.

 

* direção e sentido da partícula


 

 

Concurso de fotos Nikon Small World

O concurso Nikon Small World, que teve sua primeira edição em 2001, premia a “a beleza e a complexidade da vida vista pela luz do microscópio”.

A vencedora do júri popular foi a foto de Tomas Cabello que mostra um inseto fêmea ‘Apterous aphis fabae’ com os filhotes dentro da barriga.

Em sua 36ª edição, a competição recebeu mais de 2.200 fotografias de vários países, inclusive do Brasil. Foram selecionados vinte vencedores que receberão equipamentos fotográficos como prêmio.

As fotografias foram avaliadas de acordo com originalidade, conteúdo de informação, proficiência técnica e impacto visual.

As três primeiras colocadas foram:

Primeiro Lugar: Coração do mosquito transmissor da malária.

Segundo Lugar: Peixe-zebra de cinco dias de idade

Terceiro Lugar: Órgãos olfativos de Peixe-zebra

Para ver as demais vencedoras de 2010 e também dos anos anteriores é só acessar aqui: Nikon Small Word

Quem é esse tal de Doutorado?

Sempre que conhecemos alguém novo sempre surge a inevitável pergunta: “Você trabalha em que?”, a qual eu sempre respondo: “Faço Doutorado”. Pronto, cara de interrogação em 70% das pessoas, o que leva a outra pergunta: “Mas o que é Doutorado?”, aí para facilitar o entendimento, faço uso da minha resposta padrão: “Eu trabalho estudando e estudo trabalhando”, assim evito a fadiga e fica tudo certo.

Mas esses dias andando perdido pela rede, achei esse esquema bem legal, explicando o que é um Doutorado.O esquema foi feito por  Matt Might, professor de Ciências da Computação na Universidade de Utah e explica perfeitamente nesta apresentação gráfica que começa com um simples círculo.

1- Imagine um círculo que representa todo o conhecimento humano:

2- Quando você termina o ensino básico, você sabe um pouco:

3- Terminando o ensino médio, você já sabe um pouco mais:

4- Com um curso de ensino superior, você sabe mais um pouco e ganha uma especialização (note o calombo ali):

5- Com o mestrado, você aumenta o seu conhecimento naquela especialização (olha o calombo aumentando):

6- Ler e estudar artigos, livros, teses e discutir com professores da área te faz ir cada vez mais em direção ao limite do conhecimento humano, naquela área (veja que o resto do círculo ainda está em branco)

7- Quando você chega lá, você se foca mais um pouco:

8- Você tenta ultrapassar o limite, estudando e se aplicando mais ainda:

9 – Até que os limites se expandem, ou cedem, como preferir:

10 – Este pequeno calombinho de conhecimento que ultrapassou os limites é chamado de Doutorado (Ph.D):

11- Agora, a sua visão no mundo é diferente:

12 – Mas não esqueça da dimensão das coisas (lembra que falei que tinha muio círculo em brano???):

Bom, o Doutorado é isso, agora da para explicar até para a vovó e o vovô…

O engodo da gnose científica

Em 1974, o filósofo da biologia francês Raymond Ruyer (1902-87) lançou um livro intitulado A Gnose de Princeton, que foi um sucesso de vendas, e lançado no Brasil pela editora Cultrix em 1989. Nele, ele descreve um grupo não identificado de cientistas norte-americanos que estavam desenvolvendo uma nova religião com base na ciência moderna, especialmente na cosmologia (a ciência do Universo como um todo) e na teoria da informação biológica.

Tal grupo se considerava herdeiro da antiga tradição gnóstica, uma corrente herética do cristianismo, no séc. I d.C., influenciada pela filosofia da Platão, que pregava que podemos conhecer Deus e o mundo suprassensível através da ciência. Eis um resumo de algumas de suas teses, obtido do historiador da ciência J.R. Partington:

1) O Deus supremo é diferente do criador do mundo ou do Deus do Velho Testamento, às vezes considerado um ser maligno.

2) A matéria existe, é eterna, mas é má.

3) O mundo atual é o resultado da “queda” ou erro feito, na criação, por um ser mau, fraco ou ignorante.

4) Os “éons”, classe de poderes ou seres que emanam do Ser Supremo, são forças reais, e o eón Cristo é diferente do homem Jesus.

5) A alma caiu do mundo superior, e só pode ser libertada de sua prisão na matéria por um deus salvador que descenda com essa finalidade.

6) Há várias classes de homens, e só os gnósticos são capazes de salvação.

A “gnose científica”, “nova gnose”, ou “gnose de Princeton” não defende esses pontos específicos, mas parte da ideia de que o Universo é um ser vivo e consciente, um Sujeito totalmente abrangente, do qual nós, consciências individuais limitadas, conseguimos conhecer melhor a partir da ciência. A gnose científica teria surgido a partir do desenvolvimento da cosmologia nas décadas de 1950 e 60. A origem da informação, tão importante no reino biológico, não poderia ser o mero acaso dos encontros fortuitos de moléculas, como quer o materialismo, mas estaria no próprio “big bang”, o início do nosso Universo, um Universo onde a “forma” dominaria a matéria.

Na revista Planeta, de junho de 1977, Olavo de Carvalho, hoje um bem conhecido filósofo e polemista, anunciava para o público brasileiro as novidades do livro de Ruyer. “Nas últimas décadas, operou-se, no interior do conhecimento físico do universo, […] uma revolução silenciosa. No retiro dos seus laboratórios, a mais refinada elite da ciência norte-americana (que não inclui só norte-americanos, mas japoneses, russos, italianos, etc.) chegava à conclusão de que não só a hipótese materialista não bastava para explicar uma quantidade crescente de fenômenos, mas que essa quantidade crescente de fenômenos convergia irremediavelmente em favor da hipótese contrária” (texto disponível na web).

Há porém um problema com toda essa estória… Esse grupo de cientistas gnósticos de Princeton nunca existiu, foi uma ficção inventada por Ruyer, um engodo!

Esse fato, que aparece em sua biografia na Wikipedia, é deveras interessante. Por um lado, ele mostra como todos gostam de invocar a autoridade da ciência em defesa de suas ideias. Por outro lado, a existência do engodo a rigor não deveria afetar a plausibilidade da filosofia mística de Ruyer, herdeira da tradição que chamamos “naturalismo animista” (ver texto “O que é a Ciência Ortodoxa” – clique aqui). O juízo que fazemos de um corpo de ideias deveria ser independente de quem as defende. E apesar de não haver a “gnose de Princeton”, há de fato vários cientistas e cosmólogos – muitos citados por Ruyer – que defenderam ideias místicas em algum momento de sua carreira: Arthur Eddington, James Jeans, J.B.S. Haldane, Fred Hoyle, John Eccles, Arthur Koestler, e numa certa medida David Bohm e Eugene Wigner. Por “misticismo”, entendo a tese de que a natureza fora dos corpos de seres humanos e de animais superiores seja imbuída de características espirituais, como inteligência, vontade e sentido, o que se opõe ao “materialismo”.

O livro de Ruyer tem ideias interessantes, e faz menções frequentes e geralmente corretas a discussões científicas, mas sua exposição não é didática e nem rigorosa. Sua posição básica é de que toda a Natureza é imbuída de um Espírito, que dá sentido aos processos naturais, especialmente na biologia. Sua filosofia não teve impacto entre cientistas, mas o seu “neofinalismo” influenciou alguns filósofos franceses, além de ter tido mais influência entre os círculos esotéricos (uma análise de suas ideias é feita por R.A. Wiklund, Philosophy and Phenomenological Research 21, 1960, pp. 187-98).

No capítulo VII ele caracteriza corretamente a posição materialista de que a ordem pode surgir do acaso, e não pretende “refutar” o materialismo, mas sim contrapô-lo à sua visão neognóstica. Posições metafísicas geralmente não podem ser refutadas, pois elas envolvem teses a respeito de entidades e processos inobserváveis, que não são passíveis de verificação experimental.

O mais interessante de tudo isso é que ideias semelhantes às de Ruyer vêm sendo propostas por alguns cientistas contemporâneos, que buscam atribuir uma inteligência ao Universo como um todo. Seth Lloyd (Programming the Universe) explora essas ideias de maneira mais conservadora, ao passo que Frank Tipler (The Physics of Immortality) imagina que se o Universo entrar num colapso final (big crunch), sua capacidade computacional se tornaria infinita, recriando civilizações passadas de maneira virtual.

Alguns cosmólogos, como o respeitável trio Fahri, Guth & Guven, entre outros, especulam que uma civilização avançada poderia ter a capacidade de criar novos universos. O conhecido cientista e divulgador Paul Davies também tem explorado questões semelhantes em seu livro The Mind of God.

Essas ideias estão longe de serem hegemônicas na comunidade científica, mas indicam que há espaço para ideias místicas na ciência.

Texto de Osvaldo Pessoa Jr.

Ciência Bem Humorada

Normalmente quando pensamos em Ciência uma imagem de seriedade e sobriedade nos vem à mente, assim como figura de pessoas casmurras e que não levam nada com bom humor. Mas não é só assim, ledo engano.

A Ciência é seria, sim, não vou desmentir isso para vocês. Mas  – assim como tudo na vida – nós também somos bem humorados. Passe um dia em um laboratório científico e verão a quantidade de abobrinhas que falamos entre um experimento e outro, as vezes chegano a chorar de tanto rir.

Para mostrar-lhes esse  lado cômico da ciência apresento-lhes o IgNobel, que é uma grande paródia do famoso Nobel. No IgNobel as pesquisas são ilarias, não usuais e seguramente imaginativas. E sim, elas foram feitas de verdade, com método científico e publicadas em revistas especializadas.

Para que vocês tenham uma idéia desse divertido mundo da Ciência deixo aqui alguns dos vencedores de 2008 e de 2009.

2008

Prêmio da Paz
Cidadãos da Suiça
por adotar o princípio legal de que as plantas tem dignidade.

Prêmio de Arqueologia
Astolfo G. Mello Araujo e José Carlos Marcelino, da Universidade de São Paulo por medirem como o curso da história, ou pelo menos o conteúdo de um sítio arqueológico pode ser alterado por um tatu.

Prêmio de Biologia
Marie-Christine Cadiergues, Christel Joubert and Michel Franc da Ecole Nationale Veterinaire de Toulouse, França por descobrirem que as pulgas que vivem nos cães pulam mais alto do que as pulgas que vivem nos gatos.

Prêmio de Medicina
Dan Ariely da Universidade de Duke (USA), Rebecca L. Waber do MIT (USA), Baba Shiv da Universidade de Stanford (USA) e Ziv Carmon do INSEAD (Singapura) por demonstrarem que a falsa medicina cara é mais eficiente do que a falsa medicina barata.

Prêmio de Química
Sharee A. Umpierre da Universidade de Porto Rico, Joseph A. Hill do Centro de Fertilidade de New England (USA), Deborah I. Anderson da Escola de Medicina Universitária de Boston e Escola Médica de Harvard (USA), por descobrirem que Coca-Cola é um eficiente espermicida, e a Chuang-Ye Hong da Universidade Médica de Taipei, C. C. Shieh, P. Wu e B. N. Chiang (Taiwan) por descobrirem que não é.

2009

Prêmio de Medicina Veterinária
Catherine Jones e Peter Rowlinson, Reino Unido, por provarem que as vacas produzem mais leites quando elas têm nomes. Catherine dedicou o prêmio a Purslane, Wendy e Tina – “as vacas mais gentis que conheci” – disse a ganhadora.

Prêmio da Paz
Stephan Bolliger, Steffen Ross, Lars Oesterhelweg, Michael Thali e Beat Kneubuehl, Suiça, por determinarem se é melhor levar uma pancada na cabeça com uma garrafa de cerveja cheia ou vazia.

Prêmio de Economia
Executivos de quatro bancos Islandeses, que mostraram que pequenos bancos podem se tornar grandes bancos e vice-versa.

Prêmio de Física
Katherine Whitcome, Daniel Lieberman e Liza Shapiro, EUA, por analisarem os motivos pelos quais as mulheres grávidas não caem devido ao peso da barriga.

Prêmio de Química
Javier Morales, Miguel Apatiga e Victor Castano, México, por criarem diamantes a partir de tequila.

Prêmio de Literatura
Polícia irlandesa, por escrever e entregar mais de 50 multas ao motorista com mais infrações de trânsito do país, o polonês Prawo Jazdy.

Prêmio de Saúde Pública
Elena Bodnar, Raphael Lee e Sandra Marijan, EUA, por inventarem um sutiã que rapidamente pode ser transformado em um par de máscaras de gás.

Prêmio de Matemática
Giden Gono, presidente do Banco Central do Zimbábue, que imprimiu nas notas, as cifras que vão de um centavo a cem trilhões de dólares, para facilitar a compreensão da população, com a complicada situação financeira do país.

Para aqueles que quiserem se divertir mais com essa Ciência Maluca é só clicar AQUI.